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Oposição protocolará novo impeachment contra Gilmar Mendes

Parlamentares da oposição apresentarão, nesta quarta-feira (22 de abril de 2026), novo pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes,…

Intermezzo — Política & Sociedade

O Fato

Parlamentares da oposição apresentarão, nesta quarta-feira (22 de abril de 2026), novo pedido de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa, segundo informações da Folha de S.Paulo, será liderada por Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara dos Deputados. O fundamento da ação é a notícia-crime que Gilmar Mendes abriu contra Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais pelo partido Novo e pré-candidato à presidência da República.

Esta é mais uma tentativa de afastamento do ministro, que nos últimos anos tem sido alvo recorrente de pedidos de impeachment de diferentes segmentos políticos. A decisão do grupo oposicionista ocorre em um momento de intensificação dos conflitos institucionais entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, marcando um cenário político particularmente fragmentado e polarizado no Brasil de 2026.

Segundo a estratégia delineada pela oposição, além do pedido formal de impeachment, existe a possibilidade de apresentação de outras ferramentas jurídicas contra o ministro. Os parlamentares argumentam que Gilmar Mendes teria extrapolado suas competências ao investigar Romeu Zema, configurando, na avaliação deles, abuso de poder e violação do devido processo legal. A abertura de notícia-crime contra um pré-candidato presidencial por um ministro do STF levanta questões constitucionais sobre a imparcialidade da Corte e sua função institucional.

O contexto é delicado: estamos em período pré-eleitoral, e qualquer ação judicial envolvendo potenciais candidatos à presidência torna-se imediatamente matéria de controvérsia política. Zema, embora seja membro do Novo (partido de centro-direita), recebeu apoio simbólico da oposição ao governo federal neste momento, justamente por estar sob escrutínio de um ministro do STF. A ação de Gilmar contra o ex-governador mineiro é vista pela oposição como interferência indevida do Poder Judiciário na disputa eleitoral.

A Análise de Beatriz Fonseca

Precisamos falar sobre o que realmente está acontecendo: o Brasil está patinando em um ciclo de desconfiança institucional que não termina bem para ninguém. Este novo pedido de impeachment contra Gilmar Mendes não é, ingenuamente, sobre justiça ou sobre respeito à Constituição. É sobre poder político, sobre quem decide o quê, sobre o medo de que o Judiciário seja arbítrio final em questões que deveriam ser debatidas democraticamente.

Gilmar Mendes é uma figura controvertida. Sua trajetória é marcada por decisões polêmicas que vão desde o caso do mensalão até intervenções recentes em questões eleitorais. Mas aqui está o problema real: ao invés de debatermos com clareza se suas ações são legítimas ou não, estamos em uma dança política onde pedidos de impeachment viraram moeda de troca partidária. Quando a oposição quer afastar um ministro que investiga seu aliado, e quando a base governista quer resguardá-lo por cálculo político, perdemos a objetividade institucional.

A notícia-crime contra Zema levanta questões legítimas sobre os limites do poder de um ministro. Mas também é verdade que a oposição agora o defende não porque acredita genuinamente na imparcialidade dele, mas porque Zema é útil neste momento político. Romeu Zema não é esquerdista. Ele é um liberal que, por conveniência do jogo eleitoral, tornou-se simpático aos que combatem o governo federal.

Quando a Constituição vira tabuleiro de xadrez político, todos nós perdemos o jogo que deveria nos unir como nação.

O verdadeiro risco aqui é institucional. Se aceitamos que ministros do STF podem ser afastados por decreto de maioria parlamentar ocasional, esvaziamos a independência do Judiciário. Se, por outro lado, permitimos que magistrados façam política sem accountability, esvaziamos a democracia. O Brasil precisa urgentemente de um pacto institucional que defina claramente os limites de cada poder, fora da lógica eleitoral imediata. Enquanto isso não acontecer, viveremos estes ciclos interminávels de acusação, retaliação e desconfiança.

Não sei se Gilmar Mendes deveria ter aberto a notícia-crime contra Zema. Mas sei que a forma como o Brasil está respondendo a isso — com impeachment reativo e politicamente motivado — não é resposta institucional. É sintoma de uma democracia que está tendo dificuldade em respirar.

Enquanto isso, a pergunta que ninguém faz é: qual é, afinal, o interesse público nisso tudo? E quando ninguém mais consegue responder essa pergunta, sabemos que estamos em problemas.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.