Sob protesto, Tite define titulares do Corinthians

Na noite de sábado, em meio a faixas de protesto estendidas na Neo Química Arena, Tite escalou o Corinthians para enfrentar a Chapecoense pelo...

Banca de Jornal — Opinião
Estádio de futebol lotado
Foto: Thomas Serer / Unsplash

Na noite de sábado, em meio a faixas de protesto estendidas na Neo Química Arena, Tite escalou o Corinthians para enfrentar a Chapecoense pelo Campeonato Brasileiro com mudanças que dividem a torcida. O técnico optou por preservar Yuri Alberto no banco e escalar Romero como centroavante, decisão que gerou vaias ainda durante o aquecimento.

Um estádio dividido

Desde a derrota para o Santos no clássico da rodada anterior, a pressão sobre Tite se intensificou. Organizadas colocaram carros de som no entorno do estádio pedindo "futebol ofensivo" e criticando o que chamam de "excesso de cautela tática". A polícia estimou cerca de 3 mil manifestantes antes da abertura dos portões.

Dentro de campo, a escalação revelou a estratégia de Tite: linha de cinco na defesa, com Fagner improvisado como terceiro zagueiro, e Hugo Souza na meta — escolha que preteriu Cássio, ídolo da casa. A justificativa, segundo a comissão técnica, foi "gestão de carga física".

O contexto tático

A Chapecoense, recém-promovida e com a segunda pior campanha como visitante da Série A, parecia adversário ideal para experimentações. Mas o histórico recente do Corinthians em casa — apenas duas vitórias nos últimos seis jogos — justificava a cautela de Tite.

"Não existe jogo fácil no Brasileiro. A Chapecoense joga com a fome de quem precisa de cada ponto para sobreviver na elite." — Tite, em coletiva pré-jogo

O esquema 5-3-2 adotado por Tite reflete uma tendência que ele já havia testado na Seleção Brasileira: priorizar solidez defensiva contra equipes que jogam no contra-ataque. A diferença é que, no Corinthians, a torcida espera protagonismo ofensivo — e a paciência está no limite.

Números que explicam a crise

O Corinthians de Tite tem a posse de bola mais alta do campeonato (62,3%), mas apenas a oitava melhor média de gols (1,2 por jogo). A discrepância entre controle e eficiência é o cerne da insatisfação. Comparativamente, o Flamengo de Filipe Luís tem 57% de posse e marca 1,9 gol por partida.

Além disso, o clube paulista é o que mais sofre gols de bola parada na competição — sete em doze rodadas —, dado que contradiz a suposta obsessão defensiva de Tite. A fragilidade nas jogadas aéreas, especialmente em cobranças de escanteio, permanece sem solução desde o início da temporada.

O que esperar

O resultado contra a Chapecoense dificilmente encerrará o debate. Se vencer com goleada, Tite terá argumento para manter o rodízio. Se empatar ou perder, a pressão pode se tornar insustentável. O próximo compromisso, contra o Palmeiras no Allianz Parque, será o verdadeiro termômetro do projeto.

Redação Banca de Jornal · Xaplin