Sequestro de celular: como criminosos transformam seu aparelho

O sequestro digital de celulares se tornou o crime tecnológico que mais cresce no Brasil.

Banca de Jornal — Segurança Digital
Smartphone com tela de segurança
Foto: Franck / Unsplash

O sequestro digital de celulares se tornou o crime tecnológico que mais cresce no Brasil. Dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo mostram aumento de 340% nos registros de "sequestro de linha telefônica" entre 2023 e 2025 — e os criminosos já não precisam nem encostar no aparelho da vítima.

Como funciona o golpe

A técnica mais comum é o SIM swap: o criminoso obtém dados pessoais da vítima (CPF, data de nascimento, nome da mãe) por meio de vazamentos de dados ou engenharia social, liga para a operadora se passando pelo titular e solicita a transferência do número para um novo chip. Em minutos, o celular da vítima perde o sinal — e o criminoso passa a receber todas as ligações, SMS e códigos de autenticação.

Com acesso ao número, o golpista reseta senhas de e-mail, redes sociais e, o mais lucrativo, aplicativos bancários. O prejuízo médio por vítima é de R$ 18.700, segundo levantamento da Kaspersky Brasil.

A evolução: sem trocar o chip

Uma variação mais sofisticada dispensa o SIM swap. Usando malware instalado via links de phishing (geralmente enviados por SMS ou WhatsApp), criminosos clonam o eSIM do aparelho ou instalam um aplicativo espião que captura tudo o que aparece na tela — incluindo senhas, tokens bancários e conversas privadas.

"O celular se tornou a chave-mestra da vida digital. Quem controla o número, controla a identidade." — Fabio Assolini, diretor de pesquisa da Kaspersky para América Latina

Casos reais

Em março de 2026, uma operação da Polícia Civil de São Paulo (Operação Linha Cruzada) prendeu 14 pessoas que haviam sequestrado mais de 800 linhas telefônicas em seis meses. O grupo operava a partir de lan houses no centro de São Paulo e tinha um "funcionário infiltrado" em uma operadora de telefonia — que fornecia dados cadastrais dos clientes em troca de R$ 200 por linha.

O prejuízo total estimado da quadrilha: R$ 12 milhões, distribuídos entre fraudes bancárias, extorsão (ameaças de divulgar fotos íntimas encontradas no aparelho) e venda de dados no mercado negro da dark web.

Como se proteger

Especialistas em segurança digital recomendam seis medidas imediatas:

1. Ative o PIN do chip (SIM PIN) — uma senha adicional que impede o uso do chip em outro aparelho. Está nas configurações de segurança do celular.

2. Use autenticação por aplicativo, não por SMS — Google Authenticator, Authy ou Microsoft Authenticator geram códigos localmente, sem depender do número de telefone.

3. Cadastre senha na operadora — Todas as operadoras permitem criar uma senha para atendimento. Sem ela, o atendente não deveria fazer alterações na linha.

4. Monitore sua linha — Se o celular perder o sinal sem motivo, ligue imediatamente para a operadora de outro telefone.

5. Não clique em links de SMS — Bancos e operadoras nunca enviam links por mensagem de texto. Se receber, delete.

6. Congele o crédito no Serasa — O serviço é gratuito e impede que criminosos abram contas ou façam empréstimos em seu nome.

Redação Banca de Jornal · Xaplin