Psiquiatra de Pedro, do BBB

Saúde & Comportamento Foto: National Cancer Institute / Unsplash O psiquiatra Dr.

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O psiquiatra Dr. Marcos Ribeiro, que acompanha Pedro Cavalcante há três anos, confirmou em entrevista ao Fantástico que o ex-participante do BBB 26 tem diagnóstico de transtorno bipolar tipo II — condição que afeta cerca de 1,5% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde.

O que é o transtorno bipolar tipo II

Diferente do tipo I, marcado por episódios maníacos intensos, o tipo II se caracteriza por hipomania (estado de euforia mais branda) alternada com episódios depressivos severos. É frequentemente subdiagnosticado porque a hipomania pode ser confundida com "personalidade enérgica" ou "fase boa".

No caso de Pedro, os episódios hipomaníacos se manifestaram dentro da casa como noites sem dormir, projetos grandiosos anunciados para os colegas de confinamento e uma sociabilidade intensa que os editores do programa trataram como "personalidade forte". A depressão veio depois, nas semanas finais — e foi transmitida ao vivo para milhões de espectadores.

"O reality show criou um laboratório involuntário de observação psiquiátrica. O problema é que ninguém ali tinha formação para interpretar o que via." — Dr. Marcos Ribeiro, em entrevista ao Fantástico

A responsabilidade da produção

A Globo informou, por meio de nota, que Pedro passou por avaliação psicológica pré-confinamento e foi considerado "apto a participar". O protocolo da emissora inclui entrevistas com psicólogos, mas não exige laudos psiquiátricos — distinção que especialistas consideram insuficiente.

A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) publicou nota pedindo que reality shows adotem protocolos mais rigorosos: "Uma avaliação psicológica não substitui uma avaliação psiquiátrica. São campos complementares, não equivalentes."

O debate público

A confirmação do diagnóstico reacendeu o debate sobre saúde mental na televisão. De um lado, psicólogos argumentam que a exposição pode ajudar a desestigmatizar o transtorno. De outro, psiquiatras alertam que o contexto de reality show — com edição, narrativas e pressão de audiência — transforma uma condição médica em entretenimento.

Pedro, em comunicado publicado no Instagram, agradeceu o apoio dos fãs e disse estar "em tratamento contínuo e melhorando a cada dia". Ele pediu que "a conversa sobre saúde mental continue, mas com respeito e informação".

Dados importantes

No Brasil, estima-se que 6 milhões de pessoas vivam com algum tipo de transtorno bipolar (IBGE/PNS 2023). O tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico correto é de 8 a 10 anos, segundo a ABP — período em que muitos pacientes recebem tratamento inadequado para depressão unipolar, o que pode agravar os episódios maníacos.

O SUS oferece tratamento gratuito por meio dos CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), com medicação e acompanhamento terapêutico. O CVV (Centro de Valorização da Vida) atende pelo 188, 24 horas por dia.

Redação Banca de Jornal · Xaplin