Os 5 países mais seguros para mulheres viajarem sozinhas

Islândia, Nova Zelândia, Suíça, Japão, Dinamarca.

Intermezzo — Opinião

A lista existe todo ano. Os "países mais seguros para mulheres viajarem sozinhas". Islândia, Nova Zelândia, Suíça, Japão, Dinamarca. Os nomes mudam pouco. O que a lista realmente revela, quando lida com atenção, é o abismo entre o mundo que poderia existir e o que existe.

O que a lista diz

Os cinco países mais seguros compartilham características previsíveis: alta renda per capita, sistemas de justiça eficientes, baixas taxas de violência de gênero e — talvez o mais importante — uma cultura que trata a presença feminina em espaços públicos como normalidade, não como ousadia.

Na Islândia, uma mulher pode caminhar sozinha às 3 da manhã sem que isso seja considerado "comportamento de risco". No Japão, o transporte público é tão seguro que vagões femininos, embora existam, são mais precaução cultural que necessidade. Na Dinamarca, a diferença salarial entre gêneros é das menores do mundo, o que não é detalhe — é fundamento.

Quando uma mulher escolhe destino de viagem pela segurança e não pelo interesse turístico, o turismo não é o problema. O mundo é.

O que a lista não diz

Que mesmo nesses países, assédio existe. Que segurança relativa não é segurança absoluta. Que os rankings medem crimes reportados — e em muitas culturas, a subnotificação de violência contra mulheres é a regra, não a exceção.

E que o Brasil, com suas belezas naturais infinitas e sua cultura acolhedora, continua longe dessas listas. Não por falta de destinos incríveis, mas por excesso de situações em que uma mulher sozinha é vista como vulnerável — e tratada como tal.

O que isso revela

Uma lista de países seguros para mulheres é, na verdade, uma lista de países onde ser mulher não é fator de risco. Onde gênero não determina horário de saída, rota de volta, roupa escolhida. Onde a liberdade de ir e vir não tem asterisco.

Enquanto essa lista existir — enquanto for necessária — teremos a medida exata de quanto falta para o mundo ser habitável para metade da sua população.

A redação da Intermezzo