É difícil isolar questão de Ormuz sem tocar na guerra, diz professor

O Estreito de Ormuz é o ponto onde economia e guerra se encontram — e quando se encontram, é o bolso de todo mundo que sente.

Banca de Jornal — Popular

"É difícil isolar a questão de Ormuz sem tocar na guerra." A frase é de um professor de relações internacionais, mas poderia ser de qualquer pessoa que acompanha o noticiário com atenção. O Estreito de Ormuz é o ponto onde economia e guerra se encontram — e quando se encontram, é o bolso de todo mundo que sente.

O que é Ormuz e por que importa

O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima de 33 quilômetros de largura entre o Irã e Omã. Por ali passa aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo. São cerca de 21 milhões de barris por dia — em navios-tanque que levam horas para cruzar a passagem e que, durante essas horas, estão ao alcance de mísseis iranianos.

Quando alguém pergunta "o que a guerra no Irã tem a ver comigo?", a resposta começa em Ormuz. Se o trânsito pelo estreito é interrompido — total ou parcialmente — o preço do petróleo dispara, o custo de transporte explode, a inflação global sobe e o preço de tudo, do pão ao combustível, acompanha.

Ormuz é o gargalo da economia global. Trinta e três quilômetros de água que podem fazer o preço do seu almoço dobrar em semanas.

A impossibilidade de isolar

O professor tem razão: não dá para falar de Ormuz sem falar da guerra. E não dá para falar da guerra sem falar de Ormuz. São faces da mesma moeda. O Irã sabe que seu maior trunfo não são os mísseis — é a geografia. Controlar a margem de Ormuz é controlar o fluxo sanguíneo da economia mundial.

Por isso a ameaça de fechar o estreito é levada a sério mesmo quando parece bravata. O mercado financeiro não espera pela ação — reage à ameaça. Cada declaração iraniana sobre Ormuz movimenta bilhões em bolsas, futuros de petróleo e câmbio.

O que fazer

Individualmente, pouco. Coletivamente, pressionar por diplomacia. A solução para Ormuz não é militar — é negociada. Toda solução militar para um estreito de 33 quilômetros é temporária. Toda solução diplomática pode ser permanente. O problema é que diplomacia exige paciência, e em ano eleitoral nos EUA, paciência é o recurso mais escasso.

A redação da Banca de Jornal