Escalada de ataques no Oriente Médio e suas consequências
O que está por trás Missíl iraniano sendo lançado reprodução/TV Globo Israel e Estados Unidos continuaram, nesta sexta-feira (3) com os bombardeios.
A manchete do dia diz: "Guerra no Oriente Médio se intensifica com ataques do Irã e ameaça ao estreito de Ormuz". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.
O que está por trás
Missíl iraniano sendo lançado reprodução/TV Globo Israel e Estados Unidos continuaram, nesta sexta-feira (3) com os bombardeios ao Irã, que revidou e atacou o setor de energia de países do Golfo. Os mísseis iranianos voltaram a cruzar o Oriente Médio e atingiram uma grande refinaria de petróleo e uma usina de dessalinização no Kuwait. Além de instalações de gás em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Na cidade, pelo menos um trabalhador morreu e outros quatro ficaram feridos. Em Israel, as sirenes so
Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.
Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.
A pergunta que ninguém faz
Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.
E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.
O que fazer
Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.
A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.
Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.