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Milei declara apoio a guerra de Israel e EUA contra Irã e reafirma

O presidente argentino Javier Milei afirmou neste domingo, 19 de abril de 2026, que a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã é "o…

Intermezzo — Política & Sociedade

O Fato

O presidente argentino Javier Milei afirmou neste domingo, 19 de abril de 2026, que a guerra entre Israel e Estados Unidos contra o Irã é "o correto", conforme informado pela agência G1. Durante visita oficial a Israel, Milei reiterou seu apoio à ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, posicionando a Argentina ao lado das potências ocidentais em um dos conflitos mais delicados do Oriente Médio.

A declaração do presidente argentino marca um alinhamento diplomático claro com a administração norte-americana e o governo israelense, em um momento de escalada nas tensões regionais. Segundo a nota da G1, Milei também reafirmou a intenção de transferir a embaixada argentina de Tel Aviv para Jerusalém, movimento simbólico que representa uma mudança radical na política externa argentina e que rompe com a tradição de neutralidade que Buenos Aires mantinha historicamente em relação aos conflitos no Oriente Médio.

O presidente argentino destacou que seu governo já classificou a Guarda Revolucionária do Irã como "organização terrorista", alinhando-se com a nomenclatura adotada pelos Estados Unidos e Israel. Em suas declarações públicas durante a visita, Milei expressou "firme apoio aos Estados Unidos e a Israel em sua guerra contra o terrorismo", usando linguagem que reflete a retórica de seus aliados internacionais.

Este posicionamento de Milei ocorre em um contexto em que a Argentina atravessa transformações significativas em sua política externa. O país, historicamente equilibrado entre potências, tem buscado se alinhar mais proximamente com os Estados Unidos e com governos de orientação conservadora e liberal no cenário internacional. A visita a Israel e as declarações feitas lá evidenciam uma reorientação estratégica deliberada da chancelaria argentina sob a presidência de Milei, que tem buscado se distanciar da tradicional política de neutralidade e coalizões regionais sul-americanas.

A transferência da embaixada para Jerusalém, tema recorrente nas declarações de Milei, representa um reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, decisão que contraria a posição de diversos países e organismo internacionais como a ONU. Esta é uma questão particularmente sensível no contexto palestino e nas relações diplomáticas globais.

A Análise de Beatriz Fonseca

A declaração de Milei não é apenas mais um discurso de campanha ou um posicionamento diplomático convencional. É, na verdade, um marco simbólico que revela as fraturas profundas que estamos observando na política externa latino-americana. O presidente argentino escolheu Israel, de todos os lugares, para declarar que a guerra é "o correto". Esta não é uma afirmação trivial.

Precisamos ser claros: Milei está redefinindo o papel da Argentina no cenário internacional, mas está fazendo isso de forma absolutamente ligada à geopolítica norte-americana. A classificação da Guarda Revolucionária como organização terrorista, a transferência da embaixada para Jerusalém, o apoio incondicional à guerra — tudo isso configura um alinhamento que não deixa espaço para nuances, para diálogos regionais ou para aquela diplomacia que, historicamente, caracterizava a Argentina como mediadora em conflitos.

O que me preocupa genuinamente é que esta postura de Milei estabelece um precedente perigoso. Quando um presidente sul-americano vai a Jerusalém e afirma que a guerra é "o correto" sem qualificações ou reconhecimento da complexidade do conflito, ele está sinalizando que a Argentina abandona qualquer pretensão de independência diplomática. Está abraçando um binarismo que não existe na realidade do Oriente Médio.

"A Argentina de Milei escolheu ser satélite em vez de ser ator — e essa escolha terá consequências que ainda estão por se desenrolar, tanto em Brasília quanto em Teerã."

Aqui no Brasil, sabemos bem o custo de se alinhar demais a potências externas sem manter autonomia. Sabemos também que a América Latina não se beneficia quando seus países se dividem entre aqueles que seguem Washington e aqueles que buscam caminhos alternativos. A retórica de Milei — usando palavras como "terrorismo" sem contexto, justificando guerra como "correta" — é exatamente o tipo de simplificação que alimenta conflitos, não que os resolve.

A transferência da embaixada é particularmente reveladora. Não é apenas um gesto pró-Israel; é um gesto que diz à comunidade internacional e ao Brasil especificamente: "Escolhemos um lado, e escolhemos com convicção absoluta". Isso redefine as possibilidades de cooperação regional e reposiciona a Argentina em relação ao resto da América Latina.

O que Milei está fazendo em Israel não é apenas política externa — é uma redefinição identitária da Argentina no sistema internacional.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.