Março Político — Os Ministros que Saem
Ministros renunciam, alianças se redesenham. Março de 2026 define o tabuleiro eleitoral brasileiro.
Março de 2026 foi o mês em que o calendário eleitoral engoliu a agenda pública. Com a janela partidária aberta (período em que políticos podem trocar de partido sem perder mandato), o Congresso paralisou: nenhum projeto relevante foi votado nas últimas três semanas. Em compensação, 183 deputados federais e 22 senadores trocaram de legenda — o maior volume de migração partidária em um único mês desde a redemocratização.
Quem sai, quem entra, quem se perde
O PL (Partido Liberal) foi o que mais perdeu: 28 deputados migraram para o União Brasil, PP e Republicanos. A saída reflete o "efeito Bolsonaro": com o ex-presidente inelegível, a sigla perdeu poder de atração. O Republicanos, de Tarcísio de Freitas, foi o que mais ganhou: 34 novos deputados em março. A mensagem é clara: o dinheiro segue o favorito, e o favorito, hoje, é Tarcísio.
Para o eleitor, o efeito é surreal. O deputado que você elegeu pelo PL agora está no Republicanos. O senador do MDB migrou para o PSD. O vereador do PSOL aderiu ao PT. As justificativas são sempre vagas — "alinhamento programático" — e as verdadeiras motivações são sempre concretas: fundo eleitoral, tempo de TV, posição na chapa.
"183 deputados trocaram de partido em março. Desses, 183 juraram que foi por convicção. A coincidência com o calendário eleitoral é, naturalmente, pura casualidade."
Os ministros que olham para outubro
Quatro ministros do governo Lula pediram exoneração em março para cumprir o prazo de desincompatibilização: quem quer concorrer em outubro precisa deixar o cargo até abril. Saíram: o ministro do Turismo (vai disputar o Senado por MG), o ministro das Comunicações (vai disputar governo de GO), a ministra da Cultura (vai disputar Câmara Federal por RJ) e o ministro dos Esportes (vai disputar governo de BA).
As saídas enfraquecem o governo no pior momento: com inflação resistente, câmbio pressionado e tarifas americanas, Lula precisa de um gabinete focado — não de um gabinete em debandada. Os substitutos, anunciados às pressas, são em sua maioria técnicos sem peso político — o que reduz conflito mas também reduz capacidade de articulação com o Congresso.
O que abril reserva
A janela partidária se fecha em 2 de abril. A partir daí, as alianças se cristalizam e o jogo vira. Convenções partidárias em junho. Início oficial da campanha em agosto. Primeiro turno em 4 de outubro. Segundo turno em 25 de outubro. São seis meses que vão definir os próximos quatro anos — e, pelo que março mostrou, a definição não será tranquila.