Xaplin On
Brasília
Portal Xaplin — jornalismo vivo • a revista não dorme
USD EUR GBP JPY BTC ETH SOL BNB

Jornalista selma rita severo lins morre aos 73 anos após longa luta

.xp-article { max-width: 720px; margin: 0 auto; font-family: Georgia, serif; line-height: 1.85; color: #1a1a1a; } .xp-article .xp-label { display:.

Banca de Jornal — Saúde & Bem-estar

O Fato

A jornalista Selma Rita Severo Lins faleceu no sábado, 18 de abril de 2026, em São Paulo, aos 73 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer que enfrentava há mais de duas décadas. Conforme informado pela G1, a profissional estava internada quando sua condição de saúde se agravou. Com uma carreira de mais de 40 anos dedicados ao jornalismo brasileiro, Selma Rita deixa um legado significativo na formação de gerações de profissionais da comunicação.

Iniciando sua trajetória profissional na TV Globo durante a década de 1980, período crucial para a consolidação da televisão brasileira, Selma Rita construiu uma reputação sólida como coordenadora de edição e gestora de telejornais. Sua competência a levou a trabalhar em outras importantes emissoras de televisão do país, como Record e SBT, onde continuou exercendo funções estratégicas. Posteriormente, retornou à TV Globo nos anos 2000, onde permaneceu até seus últimos anos de atividade profissional, reforçando sua posição como uma das mulheres mais respeitadas do jornalismo televisivo nacional.

Ao longo de sua carreira, Selma Rita foi responsável pela coordenação de importantes telejornais, incluindo passagens significativas no Jornal Nacional (JN), onde coordenou a edição de São Paulo — um dos maiores centros produtores de conteúdo jornalístico do país. Sua atuação não se limitava apenas à execução de tarefas técnicas; ela foi reconhecida como uma mentora dedicada que investiu tempo e conhecimento na formação de muitos profissionais que seguiram carreira na televisão e no jornalismo em geral. Colegas destacam sua capacidade de liderança, rigor editorial e comprometimento com a qualidade da informação — valores fundamentais que ela transmitiu a seus orientandos.

A morte de Selma Rita representa uma perda significativa para o jornalismo brasileiro em um momento em que o setor enfrenta transformações profundas com a transição digital e mudanças nos modelos de consumo de informação. Sua partida marca o fim de uma era de profissionais que construíram as bases da televisão brasileira com dedicação e excelência editorial.

A Análise de Dra. Camila Torres

Como médica e colunista dedicada à saúde e bem-estar, não posso deixar de refletir sobre o significado da trajetória de Selma Rita e sua relação com a doença que a acompanhou por mais de vinte anos. O câncer é uma doença que exige não apenas resistência física, mas uma força emocional extraordinária — e Selma Rita demonstrou isso ao manter sua vida profissional ativa e produtiva apesar de seu diagnóstico. Isso nos ensina algo valioso sobre a resiliência humana.

A história de Selma Rita também me impele a reflexionar sobre as condições de saúde dos profissionais de comunicação. O jornalismo é uma profissão altamente estressante, com prazos apertados, responsabilidades imensuráveis e pressão constante. Quando somamos a isso uma doença crônica como o câncer, estamos falando de uma mulher que literalmente trabalhava contra o relógio de seu próprio corpo. Quantos profissionais da comunicação enfrentam condições semelhantes sem que isso seja adequadamente reconhecido ou apoiado?

A morte de Selma Rita nos confronta com uma verdade incômoda: nossas sociedades frequentemente celebram a produtividade até o último suspiro, sem questionar se isso é realmente saudável ou ético.

Do ponto de vista da saúde preventiva, a história de Selma Rita também suscita reflexões sobre diagnósticos precoces e acesso ao tratamento do câncer no Brasil. Embora ela tivesse acesso a recursos profissionais que muitos brasileiros não possuem, o fato de ter convivido com a doença por mais de vinte anos sugere avanços na longevidade com a doença — um progresso que devemos celebrar, mas que também deve ser democratizado. Precisamos de políticas de saúde que garantam que mais brasileiros tenham acesso aos mesmos recursos que permitiram a Selma Rita manter sua vida e carreira por tanto tempo.

Por fim, como profissional de saúde, reconheço em Selma Rita o exemplo de alguém que transformou seu sofrimento em propósito — dedicando-se a mentorear outros profissionais, a manter padrões de qualidade e a contribuir com conhecimento até seus últimos dias. Isso é, genuinamente, uma forma de bem-estar existencial que transcende o simples estar livre de doenças.

Que a memória de Selma Rita nos inspire a questionar nossas prioridades: o que realmente importa no final de uma vida dedicada ao trabalho?

Dra. Camila Torres — Saúde & Bem-estar. Banca de Jornal, Xaplin.