Dólar retoma força no fim do dia, mas fecha abaixo de R$ 3,80
. Caiu de manhã, subiu à tarde, e fechou abaixo de R$ 3,80. Para o mercado, foi um dia normal.
O dólar teve um dia volátil. Caiu de manhã, subiu à tarde, e fechou abaixo de R$ 3,80. Para o mercado, foi um dia normal. Para quem precisa entender o que está acontecendo, foi mais um capítulo da novela cambial brasileira.
O que moveu o câmbio
De manhã, o otimismo veio dos dados de emprego americanos — fortes o suficiente para indicar economia saudável, mas não o bastante para afastar a expectativa de corte de juros pelo Fed. O real se valorizou. De tarde, o cenário mudou: declarações do Irã sobre retaliação reacenderam a aversão a risco global, e o dólar retomou força contra moedas emergentes.
O fato de ter fechado abaixo de R$ 3,80 é, em si, irrelevante — o patamar exato importa menos que a tendência. E a tendência é de instabilidade. Enquanto houver guerra no Irã, petróleo acima de US$ 110 e incerteza fiscal no Brasil, o câmbio vai oscilar mais do que qualquer modelo econômico consegue prever.
O dólar fechou abaixo de R$ 3,80. Amanhã pode fechar acima de R$ 3,90. A única constante no câmbio brasileiro é a inconstância.
O que afeta seu dia a dia
Câmbio é abstração para muita gente, mas afeta tudo: o preço do trigo (importado em dólar), da gasolina (petróleo cotado em dólar), dos eletrônicos (componentes em dólar), dos medicamentos (insumos em dólar). Quando o dólar sobe R$ 0,10, o supermercado fica mais caro em semanas.
Para quem tem viagem internacional planejada, a volatilidade é angústia pura. Comprar dólar agora ou esperar? A resposta honesta: ninguém sabe. Quem disser que sabe está vendendo certeza que não existe.
O cenário
O Banco Central tem instrumentos para suavizar oscilações — swaps cambiais, leilões de dólar. Mas não pode lutar contra fundamentos. Se o cenário externo piorar e o cenário fiscal doméstico não melhorar, a pressão sobre o real continuará. O dólar abaixo de R$ 3,80 hoje pode ser lembrança saudosa amanhã.