Dólar fecha março a R$ 5,78

O que está por trás da alta O fator externo dominante é a política comercial americana.

Economia — Câmbio

O dólar encerrou março de 2026 cotado a R$ 5,78, o maior valor de fechamento mensal desde outubro de 2024. A moeda americana acumulou alta de 6,3% no primeiro trimestre, pressionada por uma combinação de fatores externos — as tarifas de Trump e a alta dos juros americanos — e internos — a deterioração fiscal e a incerteza eleitoral.

O que está por trás da alta

O fator externo dominante é a política comercial americana. As tarifas recíprocas de 25% sobre importações de 58 países, anunciadas por Trump para 2 de abril, provocaram fuga de capitais de mercados emergentes para ativos em dólar. O real foi uma das moedas mais afetadas: entre as 20 principais divisas globais, foi a quarta que mais se desvalorizou no trimestre.

O fator interno é o déficit fiscal. O governo projetava superávit primário de 0,5% do PIB para 2026, mas os dados de janeiro e fevereiro mostram trajetória de déficit de 0,8%. A diferença entre projeção e realidade — 1,3 ponto percentual — é o tipo de sinal que faz investidores estrangeiros reduzirem posições em ativos brasileiros. E menos dólar entrando significa mais pressão sobre o câmbio.

"O dólar a R$ 5,78 não é pânico. É mercado precificando risco. E quando o mercado precifica risco, quem paga é o consumidor."

Impacto no dia a dia

Dólar alto encarece tudo que o Brasil importa: combustíveis (petróleo é cotado em dólar), eletrônicos, insumos industriais, trigo (40% do consumo brasileiro é importado) e fertilizantes (70% são importados). A Petrobras anunciou que "monitora" a defasagem de preços, mas não reajustou — uma decisão que analistas consideram política, não técnica.

Para quem viaja ao exterior, o dólar turismo ultrapassa R$ 6,10 nas casas de câmbio. Para quem investe, posições em ativos dolarizados (ETFs, BDRs, fundos cambiais) tiveram ganho de 6% no trimestre. Para quem deve em dólar — empresas com dívida externa —, o custo da dívida aumentou proporcionalmente.

O que esperar em abril

Abril concentra três eventos que podem mover o câmbio: a efetivação das tarifas de Trump (dia 2), a divulgação do IPCA de março (dia 10) e a reunião do Copom (dia 16). Se a inflação vier acima do esperado, o Banco Central pode sinalizar mais juros — o que, paradoxalmente, pode atrair capital estrangeiro e aliviar o dólar. Se vier abaixo, o alívio vem por outro caminho: expectativa de cortes futuros. Nos dois cenários, R$ 5,78 é o piso, não o teto.

Redação Xaplin