Da ameaça de destruir a civilização no Irã ao cessar-fogo

10 horas em que Trump pôs o mundo em suspense.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Da ameaça de destruir a civilização no Irã ao cessar-fogo: as 10 horas em que Trump pôs o mundo em suspense". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira (7) que adiou por duas semanas o ultimato contra o Irã e disse ter condicionado a medida à abertura completa do Estreito de Ormuz. Teerã confirmou o acordo que permitirá a reabertura do Estreito de Ormuz por um período inicial de duas semanas. Trump havia dado até as 21h desta terça-feira para que o Irã chegasse a um acordo com os Estados Unidos e reabrisse a rota, por onde passa grande parte do petróleo mundial. Ele afirmou q

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.