A tarifa de 50% e o xadrez global — por Ricardo Mendes

% de tarifa sobre importações chinesas não é apenas uma medida econômica.

Coluna semanal de Ricardo Mendes — Economia & Finanças

A decisão americana de impor 50% de tarifa sobre importações chinesas não é apenas uma medida econômica. É um movimento de tabuleiro numa partida que vai definir quem controla a economia do século XXI.

O que está em jogo

Não estamos falando de protecionismo clássico. O que os EUA querem é forçar a "desglobalização" de setores estratégicos: semicondutores, baterias, inteligência artificial, biotecnologia. É uma guerra de padrões tecnológicos disfarçada de guerra comercial.

O paradoxo brasileiro

O Brasil ocupa uma posição curiosa nesse tabuleiro. Somos o maior exportador de commodities agrícolas para a China e, ao mesmo tempo, dependemos de tecnologia americana. Não podemos escolher um lado sem perder o outro.

A saída? Autonomia estratégica. Investir em indústria nacional de semicondutores, diversificar parceiros comerciais, acelerar acordos com a União Europeia e o Mercosul.

Para o investidor

No curto prazo: volatilidade. O dólar vai oscilar entre R$ 5,60 e R$ 6,10 nas próximas semanas. Empresas exportadoras de commodities (Vale, Suzano, JBS) tendem a se beneficiar. Empresas dependentes de importações (varejo, eletrônicos) vão sofrer.

No médio prazo: quem apostar em diversificação geográfica e setores resilientes vai colher os frutos.

"O pior erro é não se posicionar. No xadrez global, quem fica sentado vira peão."

Ricardo Mendes é colunista de Economia & Finanças da Xaplin. Publica às segundas-feiras.