Prof. Otávio Estrela — Marte em Gêmeos

, Marte ingressa no signo de Gêmeos — e vai ficar por lá até 18 de maio.

Coluna Prof. Otávio Estrela — Astronomia

No dia 3 de abril, Marte ingressa no signo de Gêmeos — e vai ficar por lá até 18 de maio. Para a astronomia, trata-se de uma posição aparente do planeta no céu noturno, determinada pela mecânica orbital. Para a astrologia, é um trânsito que mexe com comunicação, decisões e aquela inquietude que faz você mudar de ideia três vezes antes do café. Nesta coluna, como sempre, olhamos para cima com os dois olhos.

O que acontece no céu — literalmente

Marte está atualmente a 1,8 unidade astronômica da Terra — cerca de 270 milhões de quilômetros. Seu brilho aparente é de magnitude +1,3, visível a olho nu na direção leste após as 22h. Ao entrar na região de Gêmeos (constelação), o planeta passará próximo das estrelas Castor e Pollux, formando um trio visível que será um dos destaques do céu de abril.

Para observadores com telescópio modesto (a partir de 90mm), abril oferece uma janela interessante: o disco marciano terá 6,5 segundos de arco de diâmetro, suficiente para distinguir a calota polar norte e, em noites de boa estabilidade atmosférica, a região escura de Syrtis Major. Não é a oposição de 2025, que foi espetacular, mas ainda é Marte — e Marte sempre recompensa quem olha.

"A astronomia nos diz onde Marte está. A astrologia nos pergunta o que isso significa. São perguntas diferentes — e ambas são humanas."

O trânsito astrológico: Marte em Gêmeos

Na linguagem astrológica, Marte representa ação, impulso, energia direcionada. Gêmeos é o signo da comunicação, da dualidade, da mente que não para. Quando Marte transita por Gêmeos, a energia se dispersa: muitos projetos iniciados, poucos concluídos; discussões que escalam rápido; uma tendência a falar antes de pensar e pensar enquanto já está falando.

Para signos de ar (Gêmeos, Libra, Aquário), o trânsito tende a ser energizante — ideias fluem, conversas ganham intensidade, a agenda explode. Para signos de terra (Touro, Virgem, Capricórnio), pode ser frustrante: a velocidade geminiana colide com a necessidade de método e planejamento. Para signos de água (Câncer, Escorpião, Peixes), o risco é a superficialidade emocional — Marte em Gêmeos não quer aprofundar, quer mover.

Abril no céu: o que mais observar

Além de Marte, abril traz a chuva de meteoros Líridas, com pico entre 21 e 22 de abril. Originados dos destroços do cometa C/1861 G1 Thatcher, os Líridas produzem em média 18 meteoros por hora — discretos comparados às Perseidas de agosto, mas com a vantagem de ocorrerem em lua nova (dia 20), o que significa céu escuro e condições ideais de observação.

Júpiter permanece dominando o céu do início da noite, na constelação de Touro, com magnitude -2,1. Saturno reaparece no céu matutino após a conjunção solar de março, visível a leste pouco antes do amanhecer. E Vênus, que brilhou como estrela vespertina nos últimos meses, começa sua transição para o céu matutino — um movimento que levará todo o mês de abril.

A lição de Castor e Pollux

As duas estrelas mais brilhantes de Gêmeos — Castor e Pollux — são, mitologicamente, os irmãos gêmeos de Helena de Troia. Na astronomia, são completamente diferentes: Pollux é uma gigante laranja a 34 anos-luz; Castor é um sistema sêxtuplo (seis estrelas orbitando-se mutuamente) a 51 anos-luz. Parecem iguais no céu, mas não poderiam ser mais distintas.

Talvez seja essa a lição de Gêmeos — e de Marte passando por lá. As coisas nem sempre são o que parecem. O brilho aparente engana. E olhar de perto, com curiosidade e paciência, quase sempre revela algo mais complexo e mais bonito do que a primeira impressão sugeria.

Bons céus em abril.

Prof. Otávio Estrela é colunista de Astronomia & Astrologia da Xaplin