Prof. Otávio Estrela — Eclipse solar de abril

No dia 12 de abril de 2026, um eclipse solar parcial será visível em parte do Brasil.

Coluna Prof. Otávio Estrela — Astronomia

No dia 12 de abril de 2026, um eclipse solar parcial será visível em parte do Brasil. Não é um eclipse total — para isso, seria preciso estar na faixa de totalidade que cruza o norte da África e o sul da Ásia —, mas a Lua cobrirá entre 25% e 45% do disco solar para observadores no Norte e Nordeste do Brasil. É um espetáculo que merece atenção — e cuidados.

O que acontece durante um eclipse solar

Um eclipse solar ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, projetando sua sombra sobre nosso planeta. A geometria é precisa: a Lua, embora 400 vezes menor que o Sol, está 400 vezes mais próxima — o que faz com que ambos pareçam ter o mesmo tamanho aparente no céu. É uma coincidência cósmica que não existe em nenhum outro planeta do Sistema Solar.

No eclipse de 12 de abril, a penumbra lunar tocará o território brasileiro a partir das 7h15 (horário de Brasília), com máxima cobertura por volta das 8h40 e término às 10h05. Quanto mais ao norte, maior a cobertura: Belém verá 43% do Sol coberto; Recife, 35%; Salvador, 28%; São Paulo, apenas 8% — quase imperceptível sem equipamento.

NUNCA olhe diretamente para o Sol

Esta é a parte mais importante deste texto, e vou repeti-la: nunca, em nenhuma circunstância, olhe diretamente para o Sol durante um eclipse parcial. A retina não tem receptores de dor — o dano é indolor e frequentemente irreversível. Óculos de sol comuns não protegem. Radiografia não protege. Vidro fumê caseiro não protege.

O que protege: filtros solares certificados (padrão ISO 12312-2), disponíveis em lojas de astronomia; projeção por orifício (pinhole) — um furo em cartolina que projeta a imagem do Sol em uma superfície; ou telescópios com filtro solar apropriado, como filtros de polímero Baader ou vidro Thousand Oaks.

"Um eclipse solar é um dos poucos fenômenos astronômicos que pode machucar quem não sabe observá-lo. A beleza exige respeito."

A ciência por trás do espetáculo

Eclipses solares foram, historicamente, laboratórios naturais. Foi durante o eclipse de 1919, observado em Sobral (Ceará) e na Ilha do Príncipe, que Arthur Eddington confirmou a previsão de Einstein de que a gravidade curva a luz — uma das verificações mais importantes da história da física.

Hoje, eclipses continuam sendo úteis para a ciência: permitem estudar a coroa solar (a camada mais externa da atmosfera do Sol, normalmente invisível), medir variações na constante solar e calibrar instrumentos de satélites. O eclipse de abril de 2026 será observado por 12 equipes científicas ao longo da faixa de totalidade na África e Ásia.

O próximo total no Brasil

O Brasil terá seu próximo eclipse solar total em 2 de agosto de 2027, visível em uma faixa que cruza o Norte do país — de Roraima ao Amapá. Para quem nunca presenciou a totalidade — os minutos em que o dia vira noite, as estrelas aparecem e a coroa solar brilha ao redor da silhueta negra da Lua —, será uma oportunidade imperdível. Comece a planejar agora.

O de abril é o aperitivo. Observe com segurança, compartilhe com quem está perto, e lembre-se: estamos girando em uma rocha no espaço, orbitando uma estrela comum, protegidos por uma atmosfera fina. Eclipses nos lembram disso — e lembrar é sempre bom.

Prof. Otávio Estrela é colunista de Astronomia & Astrologia da Xaplin