Copa 2026: o Brasil tem time, mas tem projeto?
Coluna de Marcos Tibúrcio — Esportes.
O Brasil tem time para a Copa de 2026. Essa é a parte fácil da conversa. Vinícius Jr. é Bola de Ouro. Endrick já marcou em semifinal de Champions League com 19 anos. Rodrygo é titular absoluto do Real Madrid. A lista de jogadores brasileiros em clubes de elite europeus é mais longa do que a de qualquer outra seleção do mundo. Talento sobra. A pergunta é outra: o Brasil tem projeto?
Dorival e o desafio de montar com pressa
Dorival Júnior assumiu a seleção em janeiro de 2024, após a demissão de Fernando Diniz. Herdou um grupo talentoso mas desestruturado. A eliminação nas quartas para a Croácia em 2022 deixou cicatrizes, e a passagem de Diniz aprofundou a crise de identidade. Os resultados sob Dorival são mistos: 14 jogos, 7 vitórias, 4 empates, 3 derrotas. As vitórias contra adversários modestos; as derrotas contra adversários de Copa.
"O Brasil sabe atacar. Sempre soube. A pergunta de 2026 é a mesma de 2014, 2018 e 2022: o que acontece quando o adversário não deixa?"
O meio-campo: onde o jogo se ganha ou se perde
Se a Copa fosse decidida pelos extremos — goleiros e atacantes —, o Brasil seria favorito. Alisson é um dos três melhores goleiros do mundo. Vinícius Jr. e Rodrygo formam a dupla mais perigosa de qualquer seleção. O problema está no meio: Casemiro, aos 34 anos, não tem a intensidade de antes. Bruno Guimarães desaparece em jogos de pressão. Paquetá carrega a sombra da investigação sobre apostas.
A ausência de um volante dominante — de um Gérson, de um Falcão, de um Dunga de 1994 — é o maior problema tático. O futebol moderno se decide no meio-campo. E o meio-campo brasileiro de 2026 é a parte mais fraca do time mais talentoso.
O grupo e a verdade incômoda
Sérvia, Suíça e Camarões. No papel, acessível. Na prática, traiçoeiro: a Sérvia joga com intensidade física; a Suíça é a definição de equipe sem furos; e Camarões traz imprevisibilidade. O Brasil precisa passar em primeiro — o chaveamento exige.
O Brasil não ganha uma Copa desde 2002. São 24 anos — a maior seca da história. Nesse período, Alemanha, Espanha, França e Argentina conquistaram o título. O futebol brasileiro produz mais talentos do que qualquer país, mas não produz times de Copa desde Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho. Dorival tem 75 dias para mudar essa história.