O Brasil entre dois mundos — por Beatriz Fonseca

. É um teste de alinhamento geopolítico. E o Brasil — como sempre — está no meio.

Coluna semanal de Beatriz Fonseca — Política & Sociedade

A guerra comercial entre EUA e China não é apenas uma disputa econômica. É um teste de alinhamento geopolítico. E o Brasil — como sempre — está no meio.

A ilusão da neutralidade

Desde Lula III, a política externa brasileira tenta equilibrar relações com Washington e Pequim. "Amigo de todos, inimigo de nenhum" é o mantra. Mas quando os dois maiores parceiros comerciais do Brasil entram em guerra aberta, neutralidade vira posição insustentável.

Os números

A China é o maior parceiro comercial do Brasil (US$ 157 bilhões em 2025). Os EUA são o segundo (US$ 84 bilhões). Juntos, representam 43% do comércio exterior brasileiro. Escolher um lado é perder bilhões.

A terceira via

A resposta não é escolher. É construir alternativas. Fortalecer o Mercosul, acelerar o acordo com a União Europeia, aprofundar relações com Índia e Indonésia. O mundo multipolar não é futuro — é presente.

"A verdadeira soberania não é ficar no meio. É ter opções."

Beatriz Fonseca é colunista de Política & Sociedade da Xaplin. Publica às terças-feiras.