Brasil atinge recorde de 8,3% de desemprego — menor taxa desde 2014
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O Brasil registrou taxa de desemprego de 8,3% no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, segundo dados da PNAD Contínua divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira. É o menor patamar desde o trimestre encerrado em dezembro de 2014, quando a taxa foi de 6,5%. São 8,9 milhões de brasileiros desocupados — número alto em termos absolutos, mas que representa uma queda consistente em relação aos 14,9 milhões de dezembro de 2021.
O que explica a queda
Três fatores convergem para o resultado. Primeiro, o mercado de trabalho formal cresceu 2,1% em 12 meses, puxado por serviços (responsáveis por 62% das novas vagas) e construção civil (em expansão desde 2024). Segundo, o programa Minha Casa Minha Vida reaquecido gerou 340 mil postos diretos e indiretos. Terceiro, a expansão do agronegócio — que responde por 24% do PIB — manteve emprego rural estável, mesmo com a queda dos preços de commodities no segundo semestre de 2025.
Mas a qualidade do emprego preocupa. Do total de ocupados (100,3 milhões), 39,4 milhões estão na informalidade — sem carteira, sem FGTS, sem previdência. A taxa de informalidade de 39,3% é praticamente a mesma de 2019, antes da pandemia. O Brasil está empregando mais gente, mas não necessariamente melhor.
"8,3% de desemprego é a melhor notícia econômica do ano. Mas quando quatro em cada dez trabalhadores são informais, o número conta apenas metade da história."
O paradoxo dos juros altos
O emprego cresce apesar da Selic em 14,25% — não por causa dela. Juros altos encarecem o crédito e desaceleram investimentos. O que sustenta o mercado de trabalho é a inércia de decisões tomadas em 2024, quando a Selic estava mais baixa, e a resiliência do setor de serviços, que depende menos de crédito e mais de demanda direta.
O risco é que o efeito defasado dos juros altos — que tipicamente leva 6 a 9 meses para se materializar plenamente — comece a pesar no segundo semestre. Projeções do Ministério da Fazenda apontam que o desemprego pode subir para 9,1% até dezembro se a Selic não começar a cair antes de outubro.
O que vem pela frente
O mercado de trabalho brasileiro está em um ponto de inflexão. Se a inflação ceder e o Banco Central iniciar o ciclo de cortes, o emprego pode continuar melhorando. Se as tarifas de Trump reduzirem exportações e o câmbio pressionar preços, o cenário se inverte. Por ora, 8,3% é para celebrar — com a ressalva de que, em economia, comemorações costumam ser breves.