Ataque perto de usina nuclear no Irã amplia temor
Esastre em meio à escalada da guerra.
A manchete do dia diz: "Ataque perto de usina nuclear no Irã amplia temor de desastre em meio à escalada da guerra". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.
O que está por trás
Irã ataca países do Oriente Médio e acusa EUA e Israel de atingirem área próxima de usina nuclear O regime do Irã atacou, neste sábado (4), áreas residenciais de países do Oriente Médio. E acusou Israel e Estados Unidos de bombardearem áreas próximas à uma usina nuclear. A usina nuclear de Bushehr fica no sul do território iraniano e opera com tecnologia russa. O Irã afirma que essa é a quarta vez, desde o começo da guerra, que a área em volta da usina é atingida por explosivos. Um funcionário m
Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.
Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.
A pergunta que ninguém faz
Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.
E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.
O que fazer
Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.
A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.
Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.