Após ultimato de Trump, petróleo abre negociações em alta

Às 22h50, o Brent avançava 1,55%, a US$ 110,72 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) tinha alta de 0,33%, a US$ 111,91.

Intermezzo — Opinião

A manchete do dia diz: "Após ultimato de Trump, petróleo abre negociações em alta". Leia de novo. Agora pense no que ela não diz.

O que está por trás

O petróleo sobe no início das negociações referentes a segunda-feira (6) à medida que a guerra no Oriente Médio se intensificou, com o presidente Donald Trump prometendo aumentar os ataques contra o Irã. Às 22h50, o Brent avançava 1,55%, a US$ 110,72 por barril, enquanto o WTI (West Texas Intermediate) tinha alta de 0,33%, a US$ 111,91. Leia mais (04/05/2026 - 19h55)

Não é sobre esta notícia especificamente. É sobre o acúmulo. Uma manchete dessas, há dez anos, pararia o país por uma semana. Hoje, divide espaço com memes e receitas de bacalhau.

Quando o absurdo vira rotina, o problema não é a notícia — é a nossa capacidade de reagir a ela.

A pergunta que ninguém faz

Quem se beneficia quando a gente para de se surpreender? Quem lucra com a nossa fadiga informativa? A resposta é sempre a mesma: quem está no poder. Não importa qual poder, não importa qual partido. A normalização do inaceitável é a ferramenta mais eficiente de manutenção do status quo.

E nós, cidadãos exaustos, somos cúmplices involuntários toda vez que passamos a manchete sem parar.

O que fazer

Parar. Ler. Pensar. Não aceitar o resumo. Não confiar na indignação de 280 caracteres. O jornalismo existe para isso — para ser a pausa entre a manchete e a opinião formada.

A Xaplin não é isenta. Tem posição. E a posição é: preste atenção. Porque quem não presta atenção paga a conta depois.

Beatriz Fonseca — Política & Sociedade. Intermezzo, Xaplin.